julho 24, 2008

"Something to think about"

[...]
Navigators are urgently needed. In our information society the so-called "Google generation" has grown up with vast amounts of information available at the click of a mouse. Most of this information is contradictory and much is wrong. Sometimes the errors are fairly benign but often they are not. Information does not lead automatically to knowledge, let alone wisdom.
[...]

De um artigo da secção de ES do Guardian: Searching for the wrong answers

Revista de imprensa

Do Publico "online":

Novo curso de Medicina na Universidade do Algarve em 2009/2010

(Esta é uma decisão que considero estratégica, já que passa a haver Medicina no sul do país, contrariando a concentração que actualmente se verifica no norte e centro; aliás, acho que o critério de distribuição geográfica devia ser mais tido em conta do que aparentemente tem sido, não só no ES como noutras áreas/infraestruturas)

julho 23, 2008

Revista de imprensa

Do Público "online":

Universidades: Governo não define montante do reforço financeiro

Do Público:

Eles são cientistas mas o Estado emprega-os nos seus laboratórios como técnicos superiores (ligação temporária; p. 8; ver também a p. 9 para as matérias de ontem)

julho 22, 2008

Revista de imprensa

Do Público "online":

Grândola estabelece parceria com Universidade Aberta

Tribunal de Contas aponta falhas na gestão de quatro Universidades

Sócrates recebe reitores após alerta de dificuldades financeiras das Universidades

julho 21, 2008

Novo centro de investigação ibérico

Instituto de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde vai nascer na região (Vale do Sousa)

Revista de imprensa

Do Público "online":

Estudantes portugueses conquistam medalhas de bronze nas Olimpíadas Internacionais da Matemática

julho 19, 2008

Revista de imprensa

Do Público "online":

Ensino Superior: Reitores e tutela discutiram formas de resolver situação financeira relativa a 2008

Do Expresso "online":

Troca de acusações entre professores de Direito

julho 16, 2008

Leitura recomendada ("The Doctor Fox Lecture")

Uma boa sugestão, respigada no Universidade Alternativa, permite-nos vários níveis de leitura sobre o papel de um professor numa sala de aula, pelo menos relativamente à clássica aula expositiva. A leitura pode ser literal, o que pode ser uma actividade, ao mesmo tempo, divertida e decepcionante; também pode ser reflexiva, levando-nos a apreciar a forma como nos apresentamos perante os alunos nas aulas. Mas não quero estragar a surpresa da leitura deste artigo, já com uns bons anitos:

Donald H. Naftulin, M.D., John E. Ware, Jr., and Frank A. Donnelly (1973). THE DOCTOR FOX LECTURE: A PARADIGM OF EDUCATIONAL SEDUCTION. Journal of Medical Education 48: 630-635.

julho 15, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Universidades de Lisboa querem ter "massa crítica" (ligação temporária, p. 9)

julho 10, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Ordens contra excesso de oferta, mas politécnico quer mais vagas (ligação temporária; p. 8)

julho 08, 2008

"Nineteen Eighty-Four"

[...]
The purpose of Newspeak was not only to provide a medium of expression for the world-view and mental habits proper to the devotees of Ingsoc, but to make all other modes of thought impossible. It was intended that when Newspeak had been adopted once and for all and Oldspeak forgotten, a heretical thought--that is, a thought diverging from the principles of Ingsoc--should be literally unthinkable, at least so far as thought is dependent on words. Its vocabulary was so constructed as to give exact and often very subtle expression to every meaning that a Party member could properly wish to express, while excluding all other meanings and also the possibility of arriving at them by indirect methods. This was done partly by the invention of new words, but chiefly by eliminating undesirable words and by stripping such words as remained of unorthodox meanings, and so far as possible of all secondary meanings whatever. To give a single example. The word FREE still existed in Newspeak, but it could only be used in such statements as 'This dog is free from lice' or 'This field is free from weeds'. It could not be used in its old sense of 'politically free' or 'intellectually free' since political and intellectual freedom no longer existed even as concepts, and were therefore of necessity nameless. Quite apart from the suppression of definitely heretical words, reduction of vocabulary was regarded as an end in itself, and no word that could be dispensed with was allowed to survive. Newspeak was designed not to extend but to DIMINISH the range of thought, and this purpose was indirectly assisted by cutting the choice of words down to a minimum.
[...]
(op. cit., início do Apêndice)

Uma verdadeira descrição do paraíso terrestre! (pelo menos para alguns). Já estará a acontecer?
Ora aqui está uma obra que vale a pena ler (ou reler) como um guia para estes tempos de escuridão.

George Orwell (1949). Nineteen Eighty-Four (versão livre, para não haver desculpas)

julho 04, 2008

Corpus Lexicográfico do Português

A Universidade de Aveiro está de parabéns por nos fornecer mais esta ferramenta para conhecimento da língua:

Corpus Lexicográfico do Português

(via Abrupto)

Revista de imprensa 2

Do Jornal de Negócios Online:

O choque académico

(via Universidade alternativa)

Revista de imprensa

Do Público Online:

Comissão Europeia quer investir na melhoria da qualidade do ensino dos 27

julho 03, 2008

Comentários anónimos

Não me importo que, ocasionalmente, apareçam comentários anónimos neste blogue. Como também me reservo o direito de os apagar se os considerar ofensivos. Já me importo com sequências de comentários anónimos provenientes da mesma origem sem que a identidade do/a comentador/a seja por mim conhecida. E tenho até especial desconfiança de quem tenta disfarçar a identidade, algo que é ridículo, mas indiciador de algo mais, dadas as ferramentas que estão à disposição de qualquer utilizador da Internet, mesmo que pouco dado a investigações deste tipo. Afinal, eu assino o blogue com o meu próprio nome, não com um qualquer "nick", pelo que espero dos participantes um comportamento condizente (isto não quer dizer que não possam usar "nicks" nos comentários que aqui fazem; é apenas um reiterar do aviso original a "certa" navegação).

julho 02, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Número de alunos em mestrados mais do que duplica num ano (ligação temporária; p. 7)

julho 01, 2008

"Something to think about"

Da secção de educação do Guardian:

Higher education: Conviction rules A-grade student out of medical course

junho 29, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Funcionários das universidades receiam despedimentos "em larga escala" (ligação temporária; p. 15)

Do Canal UP:

Asfixia financeira das instituições prejudica estudantes

junho 28, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Gago convocou presidente dos reitores para discutir financiamento das universidades (ligação temporária; p. 5)

junho 26, 2008

A educação, "como Dios manda"

A ligação seguinte, imperdível, só deve ser utilizada por quem tenha um bom domínio do "castellano, con todo su colorido y riqueza":

"ARTURO PÉREZ-REVERTE, Permitidme tutearos, imbéciles"

(via Blogue dos Marretas)

Revista de imprensa

Do Público:

Ministro das Finanças acusa reitores de não saberem gerir orçamentos, universidades contestam (ligação temporária; p. 5)

junho 25, 2008

Revista de blogues

Do Polikê, para variar boas notícias:

A ligação para o Decreto-Lei n.º 107/2008, D.R. n.º 121, Série I de 2008-06-25* e uma visão feminina do caso mediático do dia (e não, não tem nada a ver com um ex-presidente do Benfica, 8-))

Mas também vos posso trazer as chinelas e um cafezinho

* Entre outras coisas:
[...]
A possibilidade de inscrição em disciplinas isoladas, por parte de qualquer interessado, com a garantia, em caso de aprovação, de certificação e ainda de creditação, se e quando ingressar em curso que as integre;
A possibilidade de os estudantes de um curso superior se inscreverem, em qualquer estabelecimento de ensino superior, em disciplinas que não integrem o plano de estudos do seu curso, com a garantia, em caso de aprovação, de certificação e de inclusão no suplemento ao diploma;
A possibilidade de inscrição num curso superior em regime de tempo parcial.

[...]

Revista de imprensa

Do Público Online:

Universidade de Aveiro vai usar dinheiro da investigação para subsídios de férias

[pelas 18:15: Comunicado da Reitoria da Universidade de Aveiro]

Do Público:

Presidente ucraniano quer graus de ensino reconhecidos (ligação temporária; p. 6)

Metade das universidades pode não ter condições para iniciar ano lectivo (ligação temporária; p. 13)

junho 24, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Mariano Gago defende que universidades devem discutir currículos com o mercado de trabalho (ligação temporária; p. 8)

Ponto de ordem

Há alguns anos atrás, recordo-me de meu pai me contar uma conversa tida à mesa do café. Versava sobre a universidade portuguesa e a preparação que a mesma transmitiria aos seus formados. A deriva normal do assunto levou ao elogio dos sistemas de ensino do estrangeiro, naturalmente superiores em tudo ao que se passava por cá. E a conversa prosseguiu até que meu pai perguntou a um dos intervenientes, mais vocal, onde tinha concluido o seu curso superior. Está bem de ver que a conversa terminou imediatamente.
Serve esta introdução para abordar uma questão que me tem preocupado particularmente nos últimos tempos. A temática é permanente nos media, especialmente nos comentários tipo blogue que agora quase todos têm, mas pode encontrar-se também na blogoESfera, inclusivé por aqui. Basicamente, a tese é que basta expulsar do ES todos os docentes que nele se encontram e que terão acedido a essa posição por, e.g., cunha, compadrio, favorecimento, etc. De uma penada, todos os problemas do ES ficariam resolvidos. Parece-me simplista esta "tese", já que, por redução ao absurdo, isto daria origem a instituições com uma só pessoa, o opinador, único ser com as qualidades desejáveis para a tarefa e sem quaiquer defeitos aparentes, muito menos os que aponta a outros.
Não me parece que seja assim tão fácil. Nem útil. O facto da vida é que as IES têm as pessoas que têm, e é com estas que as reformas, quaisquer que elas sejam, têm necessariamente que ser feitas. Ainda bem, porque tenho "algum" receio do unanimismo e da uniformidade que seriam produzidas se pensássemos e agíssemos todos da mesma maneira. Por isso, deixemo-nos de "maledicências" e usemos essa energia na criação de estratégias possíveis de colaboração com os que nos rodeiam.

"Regarding argument"

[...] Participants in argumentation have to presuppose in general that the structure of their communication, by virtue of features that can be described in purely formal terms, excludes all force—whether it arises from within the process of reaching understanding itself or influences it from the outside—except the force of the better argument (and thus that it also excludes, on their part, all motives except that of a cooperative search for the truth). [...]

(op. cit., p. 25)

J. Habermas (1992). Theory of Communicative Action Vol. 1: Reason and the Rationalisation of Society, Beacon Press, Boston

junho 22, 2008

Revista de imprensa

Do Público Online:

Ligações de acesso livre para a matéria do artigo de ontem do Expresso:

Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas alerta para "grave situação financeira"

Reitores querem encontrar-se com Sócrates antes do Verão para resolver pagamento de salários

"The Structural Transformation of the Public Sphere" (J. Habermas)

(Viagens na minha terra 5)

[...]
Of course, this direct mutual contact between the members of the public was lost in the degree that the parties, having become integral parts of a system of special-interest associations under public law, had to transmit and represent at any given time the interests of several such organizations that grew out of the private sphere into the public sphere. Today, as a rule, they are neither class parties (like old Social Democratic Party) nor interest groups themselves (in the style of the Bond für Heimatvertriebene und Entrechtete or BHE). Rather, it is precisely the interlocking of organized interests and their official translation into the political machinery that lends to the parties a paramount position before which the parliament is degraded to the status of a commitee for the airing of party lines—and the member of parliament itself "to the status of an organizational-technical intermediary within the party, who has to obey its directives in case of conflict." (Leibholz, "Strukturwardel der modernen Demokratie," 97). According to an observation by Kirchheimer this development is linked to the diminishing parliamentary influence of laywers: the advocate type gives away to that of the functionary (O. Kirchheimer, "Majoritäten und Minoritäten in westereuropäischen Regierungen", Die Neue Geselschaft (1959), 256ff), Besides the small group of those considered to be "minister material" and who accumulate leadership positions, a considerable number of party functionaries strictly speaking (apparatchiks, propaganda experts, etc.) and a a mass of direct and indirect special-interest association representatives (corporate laywers, lobbyists, specialists, etc.) get into the parliament. The individual delegate, while called upon to participate in the formation of majority decisions within his party, in the end decides in accordance with the party line. By enforcing the principle that in certain context minorities of delegates must make majority opinions their own, the party transforms the pressure toward ever renewed compromise between organized interests into a constraint enabling it to display external unity; de facto, the delegate receives an imperative mandate by his party. The parliament therefore tends to become a place where instruction bound appointees meet to put their predetermined decisions on record. [...]

(op. cit., pp. 204-205; destaque a negrito de minha responsabilidade)

J. Habermas (1989). The Structural Transformation of the Public Sphere: Inquiry into a Category of Bourgeois Society. Polity, Cambridge, UK.

Obviamente, o passo seguinte é o corte com os intermediários "correias de transmissão", passando a decisão a ser tomada nas altas esferas, afectando assim directamente as vidas dos cidadãos comuns sem qualquer controlo possível. Este é o principal problema, a meu ver, com o caminho que segue a Comunidade Europeia, de que o "Tratado de Lisboa" é apenas mais um acidente de percurso.
A verdadeira questão não é apoiar ou não a construção europeia, mas garantir que o cidadão comum não é um mero número neste jogo de interesses à escala global, em que uma elite "esclarecida" dita a sorte de todos sem um real sistema de "checks and balances". Conjugando isto com os inevitáveis compromissos que se fazem durante uma carreira política, aumentando sempre o risco da "cobrança" mais adiante, não é um bom augúrio para a Europa do século XXI.

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junho 21, 2008

Originalidades

"Júdice demite-se antes de tomar posse"
(Primeiro Jornal da SIC)

Ora aí está uma bela contradição em termos!

Revista de imprensa

Do Público:

Regime de prescrições ameaça milhares de alunos do ensino superior (ligação temporária; p. 11)

Do Expresso:

Reitores fazem ameaça ao primeiro-ministro (ligação acessível por assinatura - livre a partir de 3a. feira; 1º Caderno, p. 26)

junho 20, 2008

Revista de imprensa

Do Público Online:

Politécnicos em causa com falta de pagamento de 30 milhões de euros à Caixa Geral de Aposentações

junho 19, 2008

Bologna Seminar - Porto

De seu nome completo:

Bologna Seminar on Development of a Common Understanding of Learning Outcomes and ECTS
Porto, Portugal, 19-20 June 2008

Está a decorrer no Porto, com transmissão vídeo em directo para quem não tem disponibilidade. Deixo a seguir um "cheirinho" de uma das conferências que segui:

Keynote Lecture 2 – Robert Wagenaar, Joint coordinator of the Erasmus, Tempus and Alfa TUNING projects, University of Groningen, the Netherlands
Learning Outcomes and ECTS: indispensable elements for teaching, learning and assessment in present day degree programmes?

Ligação para os "slides" da apresentação

PS: entretanto, estive a adquirir novas competências, já que me estreei na captura, edição e colocação do vídeo no YouTube. Por aqui não se fala só de Bolonha: também se pratica, 8-).

junho 18, 2008

Revista de blogues

Do Bloco de notas (JVC):

Os malefícios dos centros

Viagens na minha terra 4

Estas " viagens" que vou fazendo têm, por vezes, consequências curiosas. Por exemplo, a possibilidade de dupla leitura de um determinado trecho de uma obra. Quando se explora a evolução das ideias ou práticas da sociedade em geral, especialmente quando essa observação incide sobre tempos contemporâneos (ou quase contemporâneos), há sempre a tentação, para o leitor, de ler o presente a essa luz. Há, muitas vezes, na perspectiva histórica uma crítica implícita às práticas presentes (ou assim pode ser "lido"), como também há a possibilidade de aprender a "usar" o sistema em proveito próprio ou do grupo a que se pertence. É um pouco esta perspectiva dual que incomoda porque, por um lado, descreve bastante bem a realidade e seus eventuais mecanismos; por outro, dificulta uma atitude ética sobre o posicionamento pessoal referente à matéria em causa.
Devo dizer que, hoje em dia estas práticas não são restritas a grupos de interesse organizados, mas também são utilizadas pelos próprios orgãos do Estado, o que não deixa de ser caricato. Deixo estas elocubrações menos claras com as palavras de Habermas sobre o assunto:

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Revista de imprensa

Do Público:

Os irlandeses falaram por todos nós (Jorge Miranda; ligação acessível por assinatura electrónica; p. 45)

alternativa para quem não tem assinatura do Público

[...]
Não se trata, claro está, de pôr em causa a legitimidade dos procedimentos parlamentares de aprovação dos tratados europeus. Bem pelo contrário: os Parlamentos nacionais deveriam ter uma participação muito mais extensa e intensa do que têm tido nas decisões conducentes a novos passos de integração. Deveriam ter tido antes e não depois. [...]

junho 16, 2008

Viagens na minha terra 3

As minhas viagens virtuais devem muito à facilidade de acesso a bons livros que hoje existe. A Amazon, as bibliotecas das IES e o seu sistema de empréstimo de obras, o ocasional "download" de uma cópia de um livro antigo, disponível livremente na Rede devido a ter caído no domínio público (ver, por exemplo, o projecto Gutenberg) ou estar mesmo livremente acessível. Devo salientar aqui que as escolhas que faço para leituras apenas são limitadas pelas minhas possiblidades e conhecimentos: não tenho intermediários "filtradores" que me indiquem o que devo ler. De alguma maneira, isto constitui uma universidade virtual (termo que já aqui utilizei anteriormente), pelo menos para mim (não esquecer que eu sou originalmente biólogo, "degenerado" em bioquímico). Dito isto, vou voltar a Habermas, que me está a ajudar a fazer sentido disto tudo. Achei especialmente interessante, neste contexto, o paradoxo a seguir referido:

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junho 13, 2008

Viagens na minha terra 2

Cá estou de volta a Habermas, mais cedo do que estava a contar, até para conjurar este dia tido por aziago. De facto, é uma surpresa esta leitura, até pela facilidade com que se seguem as ideias: "quase como se fosse um romance" não seria uma expressão descabida neste contexto.
Nesta excursão virtual sobre a evolução do conceito de opinião pública nem sempre ficamos nas brumas da História: também podemos vislumbrar pistas de como chegámos ao estado presente. Neste presente, temos dúvidas sobre se a opinião pública existe mesmo ou é uma ficção que é criada num espaço virtual (qual "Second Life") pela influência dos media, sob a batuta de "spin-doctors" e outros aprendizes de feiticeiro. Quero querer que a única defesa contra tal estado de coisas é Educação, não necessariamente a educação ministrada nas nossas escolas dos vários níveis. Não pretendo aqui denegrir a profissão docente, apenas constatar que não estão reunidas as condições para que uma verdadeira função da Escola seja efectivamente cumprida, educar. De quem é a culpa? Vamos deixá-la na indefinição da atribuição da mesma aos agentes e agendas políticos, para apreciar melhor um trecho sobre a matéria, desta vez do próprio Habermas:

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junho 11, 2008

Viagens na minha terra

Ultimamente, tenho-me remetido ao silêncio, apenas aqui colocando entradas referentes a notícias surgidas no Público sobre ES e a uma ocasional chamada para algo de interessante que surja nos blogues que sigo. Não é que esteja parado, se bem que este tempo de espera para ver o que nos reserva o futuro (os Estatutos) também não dá muita inspiração. A crise geral do país também não ajuda, com a descoberta repentina de como dependemos do que é transportado por estrada. Só a selecção escapa, mas já os romanos sabiam que circo sem pão não é suficiente. Vamos ver o que acontece quando começar a faltar a cerveja.
O meu companheiro de viagem (literalmente) é, há alguns dias, Jürgen Habermas e o seu "The Structural Transformation of the Public Sphere", naturalmente uma tradução do original germânico. É um livro muito interessante, até para fazer viagens históricas sobre ideias e conceitos (nomeadamente, opinião pública) entre os séculos XVII e XX, enquanto a viagem real decorre, por exemplo, entre os vinhedos da Bairrada. Até já me forneceu pistas para entender mehor o intrincado pensamento de Hanna Arendt ("The Human Condition", o livro de cabeceira).
Dito isto, hoje encontrei duas citações no livro de Habermas que, não tendo talvez a ver com ES (bom, o livro também não tem, directamente), achei por bem deixar aqui numa versão inglesa:

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Revista de imprensa

Do Público:

Novos estatutos das universidades vão ser apreciados por Gago (ligação temporária; p. 10)

O que muda com o novo regime jurídico (ligação temporária; p. 10)

junho 09, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Universidade de Évora coloca estudantes nas empresas (ligação temporária; p. 6)

junho 07, 2008

Revista de imprensa

Do Expresso:

Vitorino muda-se para a Católica (ligação acessível por assinatura; livre a partir de 3ª feira; p. 22, 1º caderno)

Ministro promete dinheiro (ligação acessível por assinatura; livre a partir de 3ª feira; p. 30, 1º caderno)

junho 06, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Universitários de Évora contestam abertura alternada de cursos (ligação temporária; p. 31)

Escola de Gestão do Porto renasce para lançar MBA com quatro universidades (ligação temporária; p. 46)

junho 05, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Universidades não têm dinheiro para contratar bolseiros (ligação temporária: p. 13)

junho 03, 2008

Revista de blogues

Uma entrada que se recomenda d'A Educação do meu Umbigo, e que inclui uma ligação para um ficheiro com um número recente da revista "Time", sobre o tema "How to make better teachers":

Já Tem Uns Quantos Meses…

Revista de imprensa

Do Público Online:

Ensino Superior: Mais de três mil estudantes conseguiram empréstimos nos primeiros seis meses do sistema

Leiria: Quatro licenciaturas do Politécnico vão ser ministradas online

junho 02, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Alunos prejudicados por professor repetem prova (ainda o caso de Direito da UMinho; ligação temporária; p. 13)

junho 01, 2008

Porque hoje é domingo ...

... e me posso afastar um pouco da temática habitual por aqui, a única coisa que se me oferece dizer sobre isto é que acho notavelmente profissional um trabalho jornalístico em que dois dos três comentadores se confessam, à partida, avessos à blogosfera. Nem era precisa a "ajuda" do jornalista.
Talvez possam aproveitar, os quatro, para reflectirem sobre a imagem no espelho, visionando a "performance" e notando que muitos dos comentários produzidos se lhes aplicam que nem uma luva.
E mais não digo!

(via Portugal dos pequeninos)

maio 31, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Universidade de Oxford lança megacampanha de angariação de fundos com ajuda de políticos e actores (ligação temporária; p. 23)

Do Blogue de Campus (J. Negócios):

Despesas ilegais em quatro escolas atingem os três milhões de euros

Do Canal UP:

Bolsas cobrem apenas um quarto dos gastos de um estudante do Ensino Superior público

Aberto o concurso para atribuição de bolsas de investigação a estudantes de licenciatura

[entrada actualizada às 12:15]

maio 30, 2008

Todo um programa

Uma das coisas que mais me impressiona neste livro de Bourdieu que tenho vindo a partilhar aqui ultimamente (digo isto antes de ler o pós-fácio escrito em 1987, intitulado "Vingt ans aprés") é a capacidade do autor de desconstruir a realidade. Bourdieu é único (a minha opinião, naturalmente) na sua descrição particular da forma como movimentos socias podem ser manipulados para produzir resultados previsíveis (pelo menos até um certo ponto). Ele é especialista em descrições cruas da realidade histórica contemporânea, não deixando, aparentemente, nada por escalpelizar. O reverso da medalha, necessário para quebrar o "feitiço" da análise englobante, é que há sempre um componente de influência das circunstâncias nos agentes da alteração, algo que nem sempre é explícito na análise feita por Bourdieu, mas que lhe está implícito. Em nenhum caso o autor chega à negação da liberdade individual de cada pessoa escolher o seu próprio caminho, fruto duma análise pessoal da situação em que se encontra. O que é claro é que o peso da influência externa pode ser, muitas vezes, determinante na escolha.
O que quero dizer com isto é que a leitura é útil precisamente por essa componente desconstrutiva, potencialmente capaz de colocar em questão os filtros que usamos para interpretar a realidade, transformando-a numa realidade "nossa". Isto é essencial para, por um lado, não nos isolarmos numa realidade pessoal, sem relação com o exterior (vulgo, em linguagem da "mitologia" universitária, a "torre de marfim"). Por outro lado, exige-nos (deve exigir-nos) a capacidade de evitar a depressão limitante e imobilizadora induzida pela aparência de determinismo (destino ou "fado") que o "feitiço" da análise (a de Bourdieu ou a nossa própria) pode provocar. Não tenho dúvidas em recomendar a leitura do livro, apesar do aspecto datado da análise da situação universitária francesa ao redor de 1968. Por um lado, porque é um excelente levantamento de situações que são muito comuns mesmo na situação universitária actual em Portugal, apesar de Bolonha, da democracia e de tudo o mais que nos possa iludir sobre a alteração das condições de fundo. Por outro lado, porque contém essa centelha de desafio à nossa capacidade de ver para além de uma realidade que nos querem impôr de fora, interpretação feita à medida ou "chave na mão", para que nos quedemos (tanto no sentido posicional como temporal) convenientemente encerrados no nosso espaço pessoal.
Uma citação de uma parte significativa do livro neste contexto:

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maio 29, 2008

Revista de imprensa

Do Público:

Sindicatos acusam Gago de querer adiar negociações do superior (ligação temporária; p. 12)

maio 28, 2008

Como se faz a História

Um surpreendentemente literário Bourdieu, pairando sobre um certo Maio parisiense:

[...]
L'attention immédiate à l'immédiat qui, noyée dans l'évenement et les affects qu'il suscite, isole le moment critique, ainsi constitué en totalité enfermant en elle-même son explication, introduit par là même une philosophie de l'histoire: elle conduit à présupposer qu'il y a dans l'histoire des moments privilégiés, plus historiques que les autres en quelque sorte (on peut en voir un cas particulier dans la vision eschatologique, classique ou modernisée, qui décrit la révolution comme terme final, telos, et point culminant, acmè, et ses agents — prolétaires, étudiants, ou autres — comme classe universelle, donc, ultime). L'intention scientifique au contraire vise à replacer l'événement extraordinaire dans la série des événements ordinaires, à l'interieur duquel il s'explique. Cela pour demander ensuite en quoi réside la singularité de ce qui reste un moment quelconque de la série historique, comme on le voit bien avec tous les phénomènes de seiul, sans sauts qualitatifs dans lesquels l'addition continue d'événements ordinaires conduit à un instant singulier, extraordinaire.
[...]
(op. cit., p. 210)

P. Bourdieu (1984).