julho 03, 2009

A mulher de César

Gostaria de ser aqui um pouco mais explícito do que na nota da segunda entrada abaixo, escrita no calor do momento.
Independentemente do valor real dos diplomas legais em causa (Estatutos da Carreira Docente Universitária e Politécnica), não vejo como uma cerimónia de assinatura para o "retrato" possa acrescentar qualquer coisa ao assunto. Bem pelo contrário, retira-lhe legitimidade, abrindo a porta a ataques e/ou modificações futuras. Não me parece curial que o MCTES, que usa o critério da excelência com alguma frequência nas suas intervenções, possa nesta situação reclamar a dita. A preocupação excessiva com a "legalidade" dos actos, independentemente das questões éticas e de substância, é muito frequente nos membros deste Governo, não se eximindo o MCTES da mesma etiqueta. Será isto fazer (bem) o TPC? Só não lhe atribuo nota porque isso é uma "marca registada" de MRSousa, mas é fácil imaginar de que lado da escala estaria caso o fizesse.
Recordo que o que está aqui em causa é o número de docentes do ES representados pelos sindicatos que assinaram o acordo, extremamente baixo. Os dois que não assinaram (FENPROF e SNESup) têm a larga maioria de sindicalizados da classe.

* Seria interessante fazer um levantamento dos "bordões" do Governo, numa perspectiva sociológica. "Excelência" e "Legalidade" são dois exemplos perfeitos neste contexto: de facto, que significam? E qual o significado do seu uso excessivo?

Revista de imprensa

Do Público "online":

Fenprof apoia aos professores dos politécnicos mas não avança para a greve

Do Público:

Fenprof reafirma o seu apoio aos politécnicos (p. 15)

Universidade do Minho reavalia caso do docente autor de blogue (p. 15)

julho 01, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Governo aprova versão final do estatuto da carreira docente universitária e politécnica

PS: a parte "deliciosa" é a da aprovação da "maioria dos sindicatos", independentemente do número de docentes representados. Deve ser coisa de ministro, que se aprende nalguma escola especial cujo currículo todos desconhecemos, com o tirocínio durante o tempo da função e as avaliações, sabe-se lá quando.

junho 30, 2009

Livro recebido

Magna Charta Universitatum Observatory (2009). Past Present and Future of the Magna Charta Universitatum. Celebrations of the XX Anniversary of the Magna Charta Universitatum. Proceedings of the Conference of the Magna Charta Observatory 18-20 September 2008. Bononia University Press (pp. 231)

junho 29, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Greve às avaliações nos politécnicos a partir de 7 de Julho

junho 27, 2009

Revista de imprensa

Do Expresso (necessária assinatura electrónica):

Universidades e politécnicos sem avaliação há cnco anos (p. 27, 1º caderno)

junho 26, 2009

De mestre!

Do Público de hoje:

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junho 25, 2009

Ensino Superior - Acordo - Conhece estes senhores ?

[transcrição de uma mensagem do SNESup recebida por correio electrónico]

A Federação Sindical da Administração Pública (FESAP) (em cujo âmbito negociaram a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP), o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP) e o Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (SINAPE), assim como o Sindicato dos Professores do Ensino Superior (SPES) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL), concluiram pela assinatura de um acordo global com o MCTES.

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Conhece estes senhores ?

Sabe quantos docentes representam ?

Mais uma das questões a que Mariano Gago não respondeu.

SNESup 25-6-2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Especialista considera Portugal "líder mundial a repensar a educação"

A entrada de blogue referida no texto:
Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!

Nota: o facto de referir aqui a notícia e o texto não significa que esteja de acordo com o conteúdo. Mais, chamo a atenção para as afiliações e interesses de D. Tapscott, para que resulte da leitura uma visão equilibrada, até porque é de prever uma utilização indevida pelos suspeitos do costume.

junho 24, 2009

Revista de imprensa

Do Público:

Reitor da Universidade do Minho demite-se e não irá candidatar-se por causa dos estatutos (p. 8)

Sindicato não chega a acordo com Gago (p. 9)

Economia e educação: pode o Governo estar contra a nação? (p. 31; necessária assinatura electrónica)

junho 23, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Snesup não chega a acordo com Mariano Gago

Ministério de Mariano Gago dá por concluídas negociações dos estatutos

Sinais dos tempos

Deixo aqui uma recomendação de leitura que não tem que ver com ES, mas que é sobre algo que nos diz respeito como cidadãos em sociedade. Sociedade essa que temos a obrigação de compreender, de ver de onde vem, e de, de algum modo, prever a sua evolução futura. Sendo uma análise da crise recente, que eu acho que é mais que económica, pode fazer-nos reflectir sobre as escolhas que fazemos todos os dias e as respectivas consequências. Uma citação significativa:

[...]
Most of what happened over the past decade across the world was legal. Bankers did what they were allowed to do under the law. Politicians did what they thought the system asked of them. Bureaucrats were not exchanging cash for favors. But very few people acted responsibly, honorably or nobly (the very word sounds odd today). This might sound like a small point, but it is not. No system—capitalism, socialism, whatever—can work without a sense of ethics and values at its core. No matter what reforms we put in place, without common sense, judgment and an ethical standard, they will prove inadequate. We will never know where the next bubble will form, what the next innovations will look like and where excesses will build up. But we can ask that people steer themselves and their institutions with a greater reliance on a moral compass.
[...]

Fareed Zakaria. The Capitalist Manifesto: Greed Is Good (To a point), NewsWeek de 22 de Junho de 2009 (±5 pp.)

(Via editorial de JMFernandes sobre R. Dahrendorf, no Público de 19 de Junho)

junho 22, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Fenprof considera “positivas” soluções sobre carreiras no ensino superior

FNE considera positivo novo estatuto docente do ensino superior

junho 21, 2009

"The End of Education: Redefining the Value of School"

[...]
Questions like these preoccupy scholars in every field. Do I exaggerate in saying that a student cannot understand what a subject is about without some understanding of the metaphors that are its foundation? I don't think so. In fact, it has always astonished me that those who write about the subject of education do not pay sufficient attention to the role of metaphor in giving form to the subject. In failing to do so, they deprive those studying the subject of the opportunity to confront its basic assumptions. Is the human mind, for example, like a dark cavern (needing illumination)? A muscle (needing exercise)? A vessel (needing filling)? A lump of clay (needing shaping)? A garden (needing cultivation)? Or, as so many say today, is it like a computer that processes data? And what of students? Are they patients to be cared for? Troops to be disciplined? Sons and daughters to be nurtured? Personnel to be trained? Resources to be developed?
[...]
(op. cit., p. 174)

Lembro-me do meu tempo de liceu, da Filosofia que era então disciplina obrigatória dos 6º e 7º anos do Curso Complementar dos Liceus (actualmente, 10º e 11º anos), independentemente de se ter escolhido a área de Ciências ou de Letras. Assim como me lembro da definição que o professor deu do que a disciplina tratava, a tradicional amizade pelo conhecimento. E da atitude que nos recomendou: questionar sempre.
O curioso é que, muitos anos depois, as questões filosóficas assumem para mim uma importância sempre crescente. Apesar da especialização disciplinar que ocorreu entretanto, primeiro em Biologia e depois em Bioquímica, essa semente inicial veio a desenvolver-se por via do interesse por Educação.
Aqui estou hoje, saltitando de um livro para outro, de uma forma mais ou menos casuística (porque dependente do acesso), mas em parte orientada pelos meus novos mestres (os autores). Aprende-se (pelo menos eu aprendo) pelo confronto de ideias e pelo "diálogo" em diferido com o que outros pensaram ou pensam. Não deixa de ser relevante que ainda hoje prefira o livro em papel, mesmo quando tenho acesso a versões digitais. Parte dessa preferência tem a ver com a possibilidade de o levar para qualquer lado (sem o pesado "alforge" do portátil, por exemplo), o que me permite escolher sem restrições um ambiente propício à reflexão. Outra parte vem da própria natureza do contacto com o livro: da "pressão" para ir até ao fim, conhecendo progressivamente qual o objectivo do autor; de como me suscita novas interrogações; de como me força a questionar a minha maneira de pensar; de como me surpreende com ideias que não me tinham ocorrido. Creio que são efeitos que a leitura no computador não simula tão bem. Além de que esta última forma facilita enormemente a distracção e dispersão: um "e-mail" que chega, uma ligação que "é preciso" seguir.
Neil Postman é um autor curioso, que me diz muito porque pensa "ao contrário", uma maneira estranha de dizer que procura (e expõe) perspectivas não tradicionais sobre a questão em análise. Neste livro, o tema é a necessidade de uma ideia central sobre a escola, motivadora para os alunos e fértil para os professores. Não tem a ver com currículos, programas, ou pedagogias. Ou então tem, mesmo, tudo a ver com isso tudo e mais ainda; tem a ver com a ideia de Escola e com a ideia de Educação, ambas mais do que a soma das partes. Foi um desafio ler este pequeno livro de 200 páginas, resistindo à tentação de me dispersar para alguns outros citados pelo autor (que, diga-se, é muito selectivo nas referências). O facto de ser "dirigido" para um nível de ensino básico não lhe retira valor; antes, acrescenta porque não permite a aplicação de "receitas" sem reflexão própria. Experimentem.

Referências anteriores:

Para que serve a Educação?

Para que serve a Educação? 2

Neil Postman (1996). The End of Education: Redefining the Value of School. Vintage Books, Nova Yorque (209 pp.)

Revista de imprensa

Do Público:

Professores do politécnico temem desemprego (pp. 6-7)

Portugal tem de encontrar líderes nas universidades e nas empresas (p. 23)

Do Público "online":

Entrevista: “Portugal tem de investir em líderes nas universidades e nas empresas”

junho 19, 2009

Ralf Dahrendorf (1929-2009)

Do Público:

Morreu um verdadeiro liberal (p. 21)

A morte de um grande liberal que não gostava das certezas (p. 40)

Revista de imprensa

Do Público "online":

Ministério pediu relatórios independentes sobre adaptação das instituições

junho 18, 2009

Para que serve a Educação? 2

[...]
In America, it becomes the school's business to do something about these things. Of course, we have ample evidence that the schools do not do them very well, and there are those who believe that by assigning the schools the task of solving intractable social problems, we turn them into well-funded garbage dumps. This is a rather gross way to state the objection, frequently made by people of ill will. But there is, nonetheless, a reasoned complaint against the schools' trying to do what other social institutions are supposed to do but don't. The principal argument is that teachers are not competent to serve as priests, psychologists, therapists, political reformers, social workers, sex advisers, or parents. That some teachers might wish to do so is understandable, since in this way they may elevate their prestige. That some would feel it necessary to do so is also understandable, since many social institutions, including the family and church, have deteriorated in their influence. But unprepared teachers are not an improvement on ineffective social institutions; the plain fact is that there is nothing in the background or education of teachers that qualifies them to do what other institutions are supposed to do. It should be clear, by the way, that in this argument the phrase "unprepared teachers" does not mean that teachers cannot do their work. It means they cannot do everyone's work.
[...]
(op. cit., pp. 143-144)

Apesar de este trecho não se referir ao ES, é possível usá~lo para reflectir sobre a missão das IES. Uma das questões que me tem preocupado mais em tempos recentes é um possível "desentendimento" entre docentes e discentes. Os primeiros têm, muitas vezes, uma ideia global muito negativa dos estudantes e das suas capacidades de trabalho e decisão. Os segundos ressentem-se, muitas vezes, por serem tratados como menores de idade, nomeadamente em termos da limitação de certas escolhas sobre o percurso académico e sobre gestão do tempo. Penso que não é necessária qualquer formação especial para perceber as virtudes de um diálogo franco entre as duas partes. Partir de posições extremadas não é, de todo, aconselhável.
Bolonha tem um potencial de aprendizagem de gestão de conflitos (uma competência!) interessante neste ponto específico.

Neil Postman (1996). The End of Education: Redefining the Value of School. Vintage Books, Nova Yorque (209 pp.)

junho 17, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Ministro defende concursos para entrar no politécnico

Do Público:

Ministério do Ensino Superior gasta mais um milhão de euros no apoio aos estudantes em tempo de crise (p. 9)

junho 16, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Professores do politécnico manifestam-se no Porto

Bolsas por dificuldades financeiras aumentam entre estudantes universitários

junho 15, 2009

Revista de imprensa

Do Público:

Pedidos de bolsas de estudo aumentam no ensino superior (p. 4)

Há instituições a fazer descontos para acudir à crise (p. 5)

Do Público "online":

Professores do politécnico protestam contra estatuto da carreira

"Neil Postman on Cyberspace, 1995"

Para que serve a Educação?

Por vezes, as minhas reflexões parecerão um pouco crípticas. Frequentemente, limito-me à citação, sem explicar o que a mesma me suscita em termos de reflexão pessoal. Também me cruzo com textos de uma clareza extrema, aquilo que em bom português se pode designar por "chamar os bois pelos nomes". Um desses autores é Neil Postman. O acaso fez-me vir à mão um dos seus livros ("Amusing ourselves to death") e acabei por estar a ler presentemente um outro, cuja referência estará no fim da entrada. Postman usa uma linguagem simples, mas clara, para identificar erros educativos comuns, um pouco à maneira de quem vê de fora uma actividade que, de facto, desenvolveu toda a sua vida. Algumas das suas intuições são auto-evidentes, naquele estilo do "como é que não pensei nisto antes?". Mas ele destaca, em geral, que o "comboio" educativo tem uma inércia imensa e que é muito difícil desviá-lo do rumo, mesmo quando a evidência dos resultados indica que o rumo está errado.
Podemos concordar ou não com Postman. Não acho que possamos ficar indiferentes aos desafios que nos coloca.

[...]
How could such schools be created? Any plan would, of necessity, have its origin in a new way of educating teachers, because it would require a refocusing of the purpose of teaching. As things stand now, teachers are apt to think of themselves as truth tellers who hope to extend the intelligence of students by revealing to them, or having them discover, incontrovertible truths and enduring ideas. I would suggest a different metaphor: teachers as error detectors who hope to extend the intelligence of students by helping them reduce the mistakes in their knowledge and skills. In this way, if I may put it crudely, teachers become less interested in making students smart, more interested in making students less dumb. This is not a question of semantics. Or, if it is, it is not "mere" semantics. It is, in fact, the point of view taken by those who practice medicine and law. Physicians do, of course, have a conception of what is good health, but their expertise resides in their ability to identify ill health and to provide remedies for it. That is why, upon being consulted, their first and most important question is, What's wrong?
The same may be said of lawyers, whose expertise resides in their ability to identify injustice and to pursue methods to eliminate it. In fact, to be realistic about the matter, for most physicians, good health is defined as the absence of illness; for most lawyers, justice is defined as the absence of injustice. Physicians and lawyers, we might say, function as painkillers. The good ones know how to relieve us of illness and injustice. I am suggesting the role of painkiller for teachers whose purpose would be to relieve students of the burdens of error—in their facts, their inferences, their opinions, their skills, their prejudices.

[...]
(op. cit., pp. 120-121)

Neil Postman (1996). The End of Education: Redefining the Value of School. Vintage Books, Nova Yorque (209 pp.)

junho 06, 2009

Dia de reflexão 4

Hoje, dia de reflexão, estou com muito pouca vontade de me calar. As ideias assaltam-me, desconexas. O formato do blogue, impondo entradas curtas, espontâneas, revela-se desadequado para o efeito. Eu próprio tenho dificuldades na expressão, derivadas muito provavelmente de uma excessiva especialização científica que deixou de lado áreas (e. g., Filosofia, História, Literatura) que agora me fazem falta para uma presença efectiva no Fórum (virtual ou não) da cidadania.
Por isso, atrever-me-ia a deixar aqui mais uma citação do documento que iniciou esta série de entradas. Porque exprime, melhor do que eu alguma vez conseguiria fazer, a conclusão que deve encerrar com chave de ouro este debate comigo mesmo:

[...]
If we segment our education, prizing only what will produce one kind of economic value, we may segment the totality of our experience and trivialize all values. There is no faster way to guarantee the shattering of our societal mosaic than to assume that its higher education should be the sum of a series of separate professional specializations—and that these should be supplemented in the humanities primarily by arguments over the study of various cultures constrained to serve present political goals and social agendas. Are we ready to jettison 3,000 years of collective experience in higher education? In his eloquent book The Idea of Higher Education, Ronald Barnett concludes with a pertinent question: will higher education be forced to settle for "the narrowness of an industry-led competence-bound curriculum?"
[...]

JEngell & ADangerfield (1998). The Market-Model University. Humanities in the Age of Money. Harvard Magazine, Maio-Junho 1998.

Dia de reflexão 3

Afinal, não resisto a "violar" um pouco o dia de reflexão, reflectindo sobre a política de ES em que estamos mergulhados. Parte da "violação" vem do facto de envolver a Europa na véspera das eleiçoes europeias. O processo de Bolonha, mais propriamente a "agenda escondida" do dito, assenta sobre pressupostos que a crise que vivemos vem, de facto, por em causa.
A crise económica não se refere apenas a bancos, seguradoras, imobiliário e operações especulativas. Ela é um fruto de uma perda de perspectiva global sobre o futuro que queremos como comunidade, ao permitirmos que os interesses individuais se sobreponham aos colectivos e que os "ganhos" de curto prazo sejam sobrevalorizados.

Um desafio que gostaria de deixar aqui passa por contributos para o estudo desta realidade. Será assim tão difícil perceber que o futuro não se compadece com um seguidismo cego de caminhos trilhados e já analisados negativamente por outros? A insistência do MCTES na obtenção de financiamentos externos para manter as IES, ao mesmo tempo que o contributo do Estado vai diminuindo não terá como consequência uma assimetria na distribuição por áreas disciplinares e uma perda da autonomia académica?
O nível do discurso público dos dirigentes das IES aproxima-se perigosamente de publicidade enganosa, oferecendo este mundo e o outro a estudantes prospectivos, com naturais dificuldades posteriores na concretização das expectativas geradas. Os jornais estão cheios, nesta altura, de anúncios de mestrados, pós-graduações e doutoramentos. Quanto de virtual estará por detrás deles? Não será isso uma falha manifesta da missão central das IES (educar)?

Dia de reflexão 2

Exactamente pelas mesmas razões da entrada anterior, mas com a separação que a (aparente) mudança de perspectiva requer, deixo aqui, para reflexão, mais uma citação do texto anterior:


[...]
Because they are more segmented, more market-driven, colleges and universities avidly pursue—and then advertise—trophies: star faculty, plush facilities, and the reputation of excellence, often while neglecting undergraduate teaching. Not to teach has become a reward. Professorial salaries correlate negatively with teaching load. It is not overstatement to conclude that the primary task of higher education is no longer to educate—certainly not to educate undergraduates. Higher education now reserves all its highest rewards for published research. In the last 30 years, the average number of maximum classroom teaching hours has remained steady, but the minimum—that is, the amount performed by those already teaching less, and that means those predominantly outside the humanities—has dropped. Research can and should inform and improve teaching. But a primary emphasis on research doesn't foster that improvement. Sadly, of all data we studied, only one study is able to conclude that research correlates positively with teaching quality, but then only at four-year colleges, not at doctoral or research institutions.
[...]

JEngell & ADangerfield (1998). The Market-Model University. Humanities in the Age of Money. Harvard Magazine, Maio-Junho 1998.

Dia de reflexão

Seguindo a sugestão de Vasco Pulido Valente no Público de hoje, é tempo de reflexão. Como não cabe aqui no blogue reflexão política, deixo aqui uma citação que ilustra bem uma parte do problema do ES em Portugal (para reflexão, naturalmente):

[...]
Another reason students and parents choose as they do is that the United States has become the most rigidly credentialized society in the world. A bachelor's degree is required for jobs that by no stretch of imagination need two years of full-time training, let alone four. Why do Americans think this is good, or at least necessary? Because they think so. We've left the realm of reason and entered that of faith and mass conformity. College credentializing has lowered pressure on secondary schools to keep up their standards, already so low that they prompted college credentializing in the first place. A sharply increased number of classes offered in four-year and especially two-year colleges over the past two decades must be categorized "remedial"; they teach what was once mastered in high school—or junior high. If high schools turned out graduates who had ninth-grade math, could read well, wrote correct simple sentences, engaged in problem-solving, and possessed basic computer skills and the ability to work in small groups, then a high-school education would suffice for middle-income jobs. Yet, collectively, high schools can no longer guarantee these minimal skills. So, even if some of their graduates greatly exceed them, they must still obtain the credential of a B.A.
[...]

JEngell & ADangerfield (1998). The Market-Model University. Humanities in the Age of Money. Harvard Magazine, Maio-Junho 1998.

junho 03, 2009

Revista de imprensa 2

Do Público "online":

Politécnicos pouco mobilizados para protestos depois de negociações "satisfatórias"

Centenas de professores manifestaram-se à frente do Parlamento

Revista de imprensa

Do Público "online":

Professores do superior manifestam-se em Lisboa

Institutos de Engenharia do Porto, Lisboa e Coimbra estiveram fechados até às 10h00 em protesto

Revista de imprensa (atrasada)

Já agora que estou nesta onda (livros a ler), devia ter deixado aqui a ligação a esta reportagem do Público:

"Vivemos uma democracia de audiência", diz Conceição Pequito

Maria da Conceição Pequito Teixeira (2009). O Povo Semi-Soberano - Partidos Políticos e Recrutamento Parlamentar em Portugal (1990-2003), Almedina (906 pp.)

Portugal português

Eu costumo perguntar às pessoas, quando a ocasião é a adequada, "quais são as duas partes do corpo mais usadas na tomada de decisões em Portugal?" A reacção é sempre de defesa, antecipando alguma brejeirice da minha parte. E eu passo a explicar: "são o cotovelo e o joelho; fazem-se as coisas por dor de cotovelo, mas em cima do joelho". Por muita piada que a coisa possa ter (terá mesmo?), prefiro a análise recente de José Gil ao "chico-espertismo", oscilando entre um discurso puramente filosófico e uma exemplificação retirada da política corrente, de que destacaria um excerto a puxar para a primeira forma (a segunda, evito, por estarmos em campanha eleitoral):

[...]
Lacan afirmava já que o laço social era essencialmente paranóico. A especificidade do laço português está no duplo plano em que circula: por detrás do circuito vislvel das relações entre os seres, a desconfiança suscita, no plano da visibilidade e do encontro com o outro, o seu contrário, a amabilidade dissimuladora, a amenidade do trato, a complacência mesmo relativamente a fraquezas manifestas. Esta manha é ainda uma manifestação do chico-espertismo. Simplesmente como os sinais vislveis do outro nos escondem tambem desconfiança e más intenções (por projecção do nosso próprio duplo plano, duplo par de olhos), a nossa desconfiança, a convicção de que o outro está sempre pronto a «passar-me uma rasteira» reforçam-se continuamente.
[...]
(op. cit., p. 36)

Este retrato devia fazer-nos reflectir sobre a imagem que damos de nós próprios. Recorda-me a fascinação que os holandeses tinham por uma tradução na sua língua de um livro de Rentes de Carvalho, intitulado "Com os holandeses" (publicado recentemente pela Quetzal Editores), em que o retrato cáustico tinha muito pouco de lisongeiro para quem, no fundo, era o povo anfitrião do autor. Não estou seguro é de que, nós próprios, nos reconheçamos neste retrato e de que "fascinação" seja o adjectivo adequado. Mas que deviamos meditar sobre o dito retrato, não tenho dúvidas.

José Gil (2009). Em busca da identidade. O desnorte, Relógio de Água (60 pp.)

junho 02, 2009

"University, Inc. The Corporate Corruption of Higher Education" J. Washburn

Um livro muito oportuno, cuja leitura recomendo a todos os que se interessam pela missão da Universidade no mundo actual. Uma citação final, em adição às anteriores, para estimular a curiosidade:

[...]
The freedom of universities from market constraints is precisely what allowed them in the past to nurture the type of open·ended fundamental research that led to some of the most important (and least expected) discoveries in history. Today, as the line between academic and commercial science dissolves, as the openness of the academic culture gives way to a proprietary one, as professors are encouraged to think more and more like entrepreneurs, a question arises: Will the Paul Bergs of the future have the freedom to explore ideas that have no obvious and immediate commercial value? Only, it seems, if universities cling to their traditional ideals and maintain their independence from the marketplace. Only, that is, if higher education is appreciated not only for its potential use value but for its intrinsic worth. This will nor be easy in an age of dwindling public support for higher education, but the university is simply too important a public institution to be surrendered to the narrow dictates of the market. "The best reason for supporting the college and the university," wrote Hofstadter, "lies not in the services they can perform, vital though such services may be, but in the values they represent. The ultimate criterion of the place of higher learning in America will be the extent to which it is esteemed not as a necessary instrument of external ends, but as an end in itself."
[...]
(op. cit., p. 241)

Jennifer Washburn (2006). University, Inc. The Corporate Corruption of Higher Education. Basic Books, New York. (pp. 352)

Referências anteriores:

"Something to think about", 29/05/2009

"Something to think about", 22/05/2009

maio 30, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos” (lamento apenas as gralhas e falhas de transcrição que dificultam a leitura; uma versão resumida saiu no jornal, p. 3)

maio 29, 2009

Revista de imprensa 2

Do Público "online":

Pólo da UTAD de Miranda do Douro encerra no final do ano lectivo

"Something to think about"

[...]
Today, it is fashionable to criticize academic culture for its inefficiency and failure to move ideas more rapidly from the laboratory to the marketplace. What's forgotten is how effective this same culture has been in furnishing society with valuable public goods that markets do a poor job of producing on their own: a reliable and ever-expanding body of scientific and technological knowledge; a well-trained cadre of students and workers; a richly endowed public information commons; and an educated citizenry. Historically, the vitality of this academic research culture has always stemmed from its nonmarket reward structure, a system predicated not on money, but on "priority of discovery," where professors are continuously racing against one another to be the first to unearth and publish new inventions and theories that advance the state of knowledge in their fields of expertise. This system does a remarkably good job of speeding the creation of new discoveries, hastening public disclosure, and enabling peers to evaluate and replicate new research findings to ensure their accuracy—all of which helps to broaden the stock of reliable public knowledge that is available for future research and innovation. Academic investigators have traditionally enjoyed a high degree of intellectual freedom and autonomy—and also collegiality, because academic publication requires them to disclose what they are working on publicly, including their raw data and methodologies. In industry, by contrast, results are often closely guarded and judged by narrow, short-term commercial and production criteria. Industry scientists also tend to conduct their work in a far more regulated, hierarchical environment.
[...]
(op. cit., p. 195)

Continuar a ler ""Something to think about"" »

Revista de imprensa

Do Público "online":

Morreu Armando Rocha Trindade, fundador da Universidade Aberta

maio 28, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

D. Dinis com a corda na "garganta" em Coimbra mostra "asfixia financeira" das universidades

D.DinizEnforc.jpg

Nota: isto de um cidadão se ter que "armar" em repórter para ilustrar as notícias da "concorrência" devia acabar, 8-).

maio 27, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Governo lança programa de portáteis a 610 euros para estudantes e docentes do superior

Novo programa para portáteis no superior poderá abranger 350 mil estudantes e docentes

Ligação para a página do programa da Toshiba: e-Universidades (Toshiba)

[actualização: 28/5; 8:20]

maio 25, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Leitores escrevem a Cavaco contra Estatuto da Carreira Docente

maio 23, 2009

Revista de imprensa

Do Público:

A crise internacional e a universidade (p. 38; com assinatura electrónica)

maio 22, 2009

"Something to think about"

[...]
The fabric of academic science has become so riddled with commercial entanglements that they have even started to take a noticeable toll on graduate students. Early in their academic careers, most young scientists are asked to choose one professor, or mentor, who will instruct them in both the technical and ethical aspects of good scholarship and scientific practice - a relationship that usually lasts for the duration of their apprenticeship training and beyond. As one professor wrote, the "research group is like an extended family or a small tribe, dependent on one another, but led by a mentor, who acts as their consultant, critic, judge, advisor, and scientific father."[...] Lately, though, research groups at many schools have come to behave less like an extended family than like a cut-throat business enterprise.
[...]
(op. cit., p. 85)

Jennifer Washburn (2006). University, Inc. The Corporate Corruption of Higher Education. Basic Books, New York. (pp. 352)

Revista de imprensa

Do Público:

Edgar Morin hoje em Viseu para falar de Educação (p. 12)

maio 21, 2009

Revista de imprensa

Do Público:

"O essencial de Bolonha está longíssimo de ser cumprido" (p. 8; A. Nóvoa)

[...]
Há sempre novas oportunidades mas, depois de Bolonha a brincar, vamos ter que fazer Bolonha a sério. Essa tem três matrizes: a mais positiva, que é a abertura e mobilidade; a segunda, a "mudança de paradigma", em que estar na universidade é estar de outra maneira que implica laboratórios, bibliotecas, estudo autónomo. É insensato aplicar Bolonha num momento de cortes financeiros e isso não deu bons resultados. O terceiro ponto é o da empregabilidade. É muito difícil que no final do 1.º ciclo se dê boa formação de base e se dê um diploma profissional.

Portugal "casa" com Harvard por seis anos e 42 milhões (p. 12)

maio 18, 2009

Revista de imprensa

Do Publico "online":

Edgar Morin defende"reforma radical" no ensino para acabar com "hiperespecialização"

maio 15, 2009

Revista de imprensa

Do Público "online":

Universidade Técnica de Lisboa recebe selo de qualidade da Comissão Europeia

Approbo é a nova ferramenta contra os plágios académicos (ferramenta gratuita)

maio 14, 2009

Revista de blogues

Do "Universidade Alternativa" uma iniciativa a seguir com atenção (e eventual participação):

"Negociações sobre Carreiras - Ponto da situação"

maio 13, 2009

Revista de blogues

Do "Professor Auxiliar":

Revisão do ECDU (1)

Revista de imprensa

Do Público "online":

Ministério da Ciência e Ensino Superior apresenta proposta aos sindicatos

Professores dos politécnicos vão reunir em plenário na próxima semana

maio 12, 2009

Revista de imprensa 3

Do Público "online":

Governo aumenta para 60 por cento número de docentes efectivos nos politécnicos

Mariano Gago faz “cedências” em relação aos projectos de estatuto das carreiras docentes

Revista de blogues

Novo blogue em observação:

Professor Auxiliar (Blogue sobre os problemas profissionais dos professores auxiliares (Ensino Superior Universitário Português))

Revista de imprensa 2

Do Público "online":

Professores do ensino superior protestam frente ao ministério de Mariano Gago

Revista de imprensa

Do Público "online":

Sindicatos queixam-se de falta de clareza nas negociações com Gago

maio 08, 2009

Momento "light" 2

Hiscas.jpg

maio 07, 2009

Momento "light"

Há que aproveitar as oportunidades ... 8-)

maizena.jpg

(da p. 11 do Público de hoje)

Continuar a ler "Momento "light"" »

maio 06, 2009

Revista de blogues

Novo blogue em observação:

Reunião Geral de Alunos

Revista de imprensa

Do Público "online":

Primeira base de dados de jornais e revistas científicos em português arranca no Verão

6º ano owl.gif

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