« As dez capacidades de raciocínio, segundo Arons | entrada | Como dar boas aulas II »

Como dar boas aulas

Um bom conselho para quem se inicia nestas actividades é o de adquirir um estilo próprio, pessoal. As pessoas são diferentes; os estilos também o serão. Há que considerar aqui não só os estilos pessoais dos docentes, mas também os estilos pessoais dos alunos. Estes são, muitas vezes, determinantes no sucesso escolar. Ken Bain, que já referi antes, oferece uma lista de sete princípios que podem ajudar à criação de um estilo próprio de ensinar que se ajuste à diversidade dos alunos que cada um encontra:

Criar na sala de aula um ambiente natural de aprendizagem crítica;

Capturar a atenção dos estudantes e mantê-la ao longo da aula;

Partir dos estudantes, não da disciplina;

Procurar activamente o compromisso dos estudantes com a assistência às aulas;

Ajudar os estudantes a aprender fora das aulas;

Envolver os estudantes na forma de pensar da disciplina (recorrendo à evolução das ideias que fazem dela o que é hoje);

Utilizar formas diversas de experiências de aprendizagem.

KBain, (2004). In: "What the best college teachers do", (pp. 207), Harvard University Press, pp.99-117.

Comentário(s)

Lá pelas tuas bandas MJMatos discutem-se abordagens pedagógicas entre os professores? Trocam-se experiências ou partilham-se ideias sobre questões pedagógicas?

Que ideia mais estranha, PJ. (estou mesmo a ser irónico)

Ainda tinha uma muito vaga esperança. Mas, para ser justo,tenho que afirmar que fui induzido em erro por ti. Não eras tu que ainda há pouco tempo falavas, a propósito das entradas que tens vindo a publicar, em guias para o desenvolvimento curricular? A culpa é toda tua meu caro. Falas "eduquês" e crias falsas expectativas.

Para ser justo, está previsto um Fórum, a realizar ainda este ano lectivo, precisamente sobre este assunto (uma organização do Conselho Pedagógico da FCTUC).

Creio na importância vital da (tão esquecida) formação pedagógica no ensino superior (não basta uma avaliação pedagógica permanente pelos alunos). Tenho dúvidas sobre o melhor modelo de a concretizar. Alguém tem sugestões?
Suponho que temos muito a aprender com os americanos nesta matéria...

"Mea culpa", PJ.
Estou a usar o blogue como um "teaser", uma maneira de divulgar a informação a que vou tendo acesso. Concordarás que há que começar por algum lado.

EL PBX:

Eu, pelo menos, tenho andando a aprender com os americanos, como se pode ver pelas referências (espero que ninguém aqui leia nenhum segundo sentido, estou a falar dos especialistas americanos em educação, 8-)).

Tenho lido algumas referências muito interessantes ao ensino da medicina nos cursos que mais recentemente foram aprovados. Aliás estou a pensar sugerir que a Secção à qual eu pertenço organize o próximo ciclo de conferências em educação subordinado ao tema Novas Abordagens Pedagógicas no Ensino Superior. Receio, no entanto, o pouco interesse por estas matérias pela parte dos professores. O que é que achas MJMatos?

Fico "cliente", PJ. Espero que possa passar por aí pelo menos algumas vezes.

Eu fico cliente também, PJ (se puder). Já o disse por aqui algures: é importantíssimo e faz muita falta.
Mas aos princípios colocados pelo autor que o MJ citou, gostava de perguntar umas coisitas sobre como conjugar isso tudo com 12h lectivas, uma tese para fazer e mais de 100 alunos... Pois...

Suponho que o autor responderia algo como ser preferível tentar fazer algo diferente e entusiasmante do que mais do mesmo e obter os resultados "brilhantes" do costume. Mas como a tese está quase "esfolada", não avanço nesta linha de argumentação, 8-).

Pois, eu tenho um problema na utilização destas técnicas. Como se aplica isto ao ensino à distância? É que eu (não) dou aulas na Universidade Aberta.

Bem achado, Jorge. Pode-se considerar isento desta discussão, 8-).

PJ, relendo o teu último comentário lembrei-me que conheço já há uns anos o Manuel João Costa, que está precisamente nessa área na Escola de Medicina da Universidade do Minho. De facto, foi ele que organizou, com Pedro Moradas Ferreira, o encontro sobre educação integrado no Congresso Nacional de Bioquímica (a minha excursão do início de Dezembro) e foi quem me recomendou o livro que serve de base a esta entrada.

No Musicoblogo (http://musicoblogo.blogspot.com/) faz-se uma referência a esta entrada. O autor começa, com pertinência, chamando a atenção para as condições que os professores do ensino superior enfrentam no seu quotidiano, o que dificulta a aplicação de novas abordagens ao nível da educação superior. Tudo bem. É um facto indesmentível que constitui um obstáculo real. Depois começa por criticar os alunos, afirmando que não desejam aprender e, quanto muito, esperam ser ensinados. Aqui torço o nariz. Julgo que compete aos docentes exigir algo mais do que isto e não dar por adquirido a suposta mediocridade dos alunos portugueses. Finalmente o autor ataca em cheio as Ciências da Educação revelando uma ignorância da qual se envergonharia caso tivesse consciência do que escreve. Reza assim:

"Criar na sala de aula um ambiente natural de aprendizagem crítica» supõe um aparelho de referentes científico-culturais e uma capacidade relacional que a esmagadora maioria dos alunos - e, é preciso dizê-lo, muitos docentes - pura e simplesmente não têm. Pela boca morre o peixe ou, de boas intenções está o inferno cheio. É assim com as Ciências da Educação."

Voilá: aqui está o culpado. As Ciências da Educação!!! Já estava à espera do costumeiro murro no saco de boxe que alivia os raciocínios obstipados.

P.S. Escrevo este comentário aqui porque o Musicoblogo não tem caixa de comentários.
MJMatos: tu que estás a ler o livro de Bain consideras que ele tem algo a ver com as "xaropadas pedagógicas" que por vezes encontramos entre nós? Pergunto-te isto porque deduzi que Bain é americano. Sempre que leio livros ou artigos de autores americanos sobre educação superior encontro quase sempre uma abordagem pragmática que se afasta muito de conselhos estratosféricos que alguns pensam ser de bom tom produzir.


KBain é americano e a abordagem é tão pragmática quanto é possível. É um bom investimento a encomenda do livro (15 dólares mais portes na Amazon).

PJ:
Já podes comentar na última entrada. Avisei também JPD'Alvarenga que ia transferir para aqui o seu texto.