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junho 30, 2004

5000!

Pouco mais de quatro meses depois de iniciar esta aventura, com uma companhia que ajudou ao percurso, entre blogues e comentadores, o contador está prestes a marcar 5000. Independentemente da precisão do dito (e das minhas visitas frequentes para ver o que de novo aparecia, que contribuiram substancialmente) posso fazer um balanço positivo. Conheci pessoas diferentes através das dicussões sempre amigáveis. Algumas delas até se tornaram reais, para além da personalidade electrónica. Não salvamos a Universidade de si mesma, é um facto. Mas, todos reflectimos sobre ela. A comunicação de ideias tem sido óptima e, posso concluir, valeu e continua a valer a pena. Obrigado a todos!

Evolução em Coimbra?

Excerto do editorial de Emanuel Graça, director da Cabra (ligação em baixo):

[...]
Resta a democracia. Aquela que os estudantes tanto apregoam mas que tanto desrespeitam, aquela que, infelizmente não pode apenas servir quando é favorável, mas que também tem de ser respeitada quando toma caminhos contrários à nossa opinião. E aqui, Seabra Santos tem vantagem: o respeito pela democracia e o estado de direito têm acompanhado a sua forma de estar em todo o processo de fixação das propinas. Já os estudantes não podem advogar o mesmo. Mas será que na vida não vale mais a pena um dia orgulhosamente de pé do que toda uma existência certa mas cinzenta? ...

junho 29, 2004

Reitor

Extracto de uma entrevista feita pela Cabra a Seabra Santos, numa notável abertura demonstrada pelos dois "lados da contenda":

[...]
Todo o historial do problema das propinas, desde o tempo do “Não pagamos”, revela uma atitude muito forte dos estudantes nesta matéria, sobretudo em Coimbra. Sendo eles os prejudicados com a medida, é compreensível que um número significativo não concorde com ela e que não compreenda as razões de um reitor que, sendo contra e tendo combatido o aumento das propinas, se vê na contingência de propor a máxima. Os motivos dessa posição, que têm a ver com a situação criada pelo actual quadro legislativo, foram já detalhadamente apresentados no órgão próprio, o senado, e poderão voltar a sê–lo para um público mais alargado numa próxima oportunidade. O problema não pode, no entanto, ser limitado a uma simples contenda entre estudantes e reitor. A questão de fundo é que os estudantes não têm sido capazes de olhar para além das propinas, coisa que o reitor não pode deixar de fazer. É minha convicção de que estou a interpretar o interesse da universidade no seu conjunto. Não de um corpo, [?] mas de um tempo. [...]

Filosofia no Básico

É uma das ideias que, para mim, faz sentido. Para além do Português e da Matemática, famosos nestas "andanças", parece-me que a Filosofia, em termos de debate de ideias, maior compreensão dos textos e como treino para melhor expressão escrita, tem um papel a jogar na educação integral da pessoa. Filosofia no 9º Ano de Escolaridade Pode Começar Já em Setembro

junho 28, 2004

Reflexões

(de George Steiner sobre consequências da educação superior. Desculpem a longa citação, em inglês)

[...]
In the most incisive of these essays Sidgwick argues for the extension of the concept of necessary culture to include modern letters and some competence in the sciences. Greek and Latin literature can no longer be said to comprise all essential knowledge, even in an idealized, paradigmatic form: the claim of these literatures "to give the best teaching in mental, ethical, and political philosophy" is rapidly passing away. Physical science "is now so bound up with all the interests of mankind" that some familiarity with it is indispensable to an understanding of and participation in "the present phase of the progress of humanity." In short, the techniques and substantive content of cultural transmission were under vigorous debate even at the height of nineteenth-century optimism. What was not under debate was the compelling inference that such transmission, if and wherever rightly carried out, would lead necessarily to a more stable, humanely responsible condition of man. "A liberal education," wrote Sidgwick, with every implication of stating the obvious, "has for its object to impart the highest culture, to lead youths to the most full, vigorous, and harmonious exercise, according to the best ideal attainable, of their active, cognitive, and aesthetic faculties." Set in full play, extended, gradually and with due regard to differing degrees of native capacity, to an ever-widening compass of society and the globe, such education would ensure a steadily rising quality of life. Where culture flourished, barbarism was, by definition, a nightmare from the past.

We know now that this is not so. We know that the formal excellence and numerical extension of education need not correlate with increased social stability and political rationality. The demonstrable virtues of the "Gymnasium" or of the "lycée" are no guarantor of how or whether the city will vote at the next plebiscite. We now realize that extremes of collective hysteria and savagery can coexist with a parallel conservation and, indeed, further development of the institutions, bureaucracies, and professional codes of high culture. In other words, the libraries, museums, theatres, universities, research centers, in and through which the transmission of the humanities and of the sciences mainly takes place, can prosper next to the concentration camps. The discriminations and freshness of their enterprise may well suffer under the surrounding impress of violence and regimentation. But they suffer surprisingly little. Sensibility (particularly that of the performing artist), intelligence, scruple in learning, carry forward as in a neutral zone. [...]

(obra citada na entrada "Leituras", 3º capítulo)

junho 24, 2004

Sofrer até ao fim!

Leituras

Por acidente, encontrei uma página na Web que contém o texto integral de "In Bluebeard's Castle. Some Notes Towards the Redefinition of Culture", de George Steiner (1971). De facto, a página contém ligações a outras obras, de outros autores, em francês e em inglês. Explorem e/ou guardem a ligação.
(JVC, desta vez não é sobre universidade; é apenas um contributo para a Universidade Virtual).

junho 22, 2004

Abertura literária

(Por vezes, é necessário fazer uma pausa nas lides quotidianas e olhar para mais longe; um pedacinho de Cesário Verde, eventualmente gerador de um sorriso, é a minha sugestão de hoje)

VAIDOSA

Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.

Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.

Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração como as estátuas.

E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.

Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
És tão loira e doirada como as messes,
E possuis muito amor... muito amor próprio.

junho 18, 2004

Ipsis verbis 5

Universidades empresa

Rui Santiago, docente da Universidade de Aveiro e investigador do CIPES (Centro de Investigação de Políticas de Ensino Superior) animou o último debate dos Encontros Quase Casuais do presente ano lectivo realizados em Coimbra. Sob o tema “Managerialismo” no Ensino Superior: debaixo dos paralelos o paraíso prometido pelos métodos de gestão privada das instituições de Ensino Superior, Rui Santiago elencou e questionou as razões que levam a que o “managerialismo” seja encarado como uma solução para os problemas de funcionamento das instituições de Ensino Superior. Nesse âmbito, procurou responder às seguintes questões: como se concretizam as soluções “managerialistas” no Ensino Superior? Até que ponto o “managerialismo” representa uma injecção de soluções neo-conservadoras no funcionamento das Instituições de Ensino Superior em reposta à “crise” do Ensino Superior? Qual o impacte dos ingredientes “managerialistas” na redefinição das finalidades do Ensino Superior? Até onde é vigiada a autonomia institucional das Instituições de Ensino Superior? As estruturas organizacionais e os processos de tomada de decisão têm sido alterados nas Instituições de Ensino Superior? Quais os efeitos perversos das soluções “managerialistas” na autonomia e liberdade dos académicos?
Assumindo uma postura crítica em relação às mudanças que estão a ocorrer no Ensino Superior, Rui Santiago começou por notar que, desde os anos 80, nos encontramos perante uma profunda revolução no Ensino Superior, cuja direcção precisa desconhecemos. Num cenário em que não se sabe exactamente o que vai substituir o que está a ser posto em causa, é de notar as tentativas de introdução no Ensino Superior de receitas de gestão e de governo das instituições, frequentemente importadas do meio empresarial sem qualquer sentido crítico.
A autonomia das instituições e dos docentes-investigadores está a ser posta em causa e constitui-se como um indicador da adopção dessas receitas. Outro indicador resulta, por exemplo, do facto de a investigação básica estar a ser posta em causa em detrimento da investigação aplicada (Cfr. Proposta de modelo de financiamento da ciência). Certos países começam a ter défices pronunciados no domínio da ciência básica, que, sendo um bem público, não concita as atenções do mercado. O facto de a ciência se estar a tornar cada vez mais objecto de privatização comporta problemas para o Ensino Superior.
A adopção das receitas “managerialistas” acentua o peso das ideologias “vocacionalistas”. Estas, tendo emergido no seio do Estado providência, difundem e alimentam-se de uma ideia muito vaga que admite a existência de uma simetria e uma correspondência directa entre a orientação vocacional e o mercado de trabalho. Um risco que pode derivar desta tendência é o estreitamento da banda de formação para corresponder a supostas exigências do mercado. Risco que é tanto mais grave se se tiver em conta que as instituições de Ensino Superior vão à frente do mercado de trabalho. O estreitamento da banda de formação e a ideologia “vocacionalista” que lhe subjaze têm, por outro lado, sido frequentemente encarados como uma solução para as elevadas taxas de abandono do Ensino Superior.
A revolução tatcheriana, incidindo primeiro no sector da saúde e depois no do Ensino Superior, veio reforçar a ideologia “vocacionalista”. Aliás, as reformas no sector da saúde são muito semelhantes às do Ensino Superior, embora na saúde tenham, em geral, sido mais fáceis de implementar, dadas as tradições de autonomia do Ensino Superior e uma maior capacidade de influência directa sobre as decisões políticas. O Ensino Superior apanhou por tabela na contestação ao Estado providência. O facto de certos países, como o Canadá e a Irlanda, por exemplo terem voltado à noção de Ensino Superior como bem público revela que o processo de mercadorização não é irreversível.
Ramificações da ideologia “vocacionalista” podem ser encontradas nas recorrentes exigências de eficiência, sendo que este apelo se centra mais na ideia de custo mínimo e menos na análise da relação custo/benefício. Mas podem igualmente ser encontradas nas variantes das formas de contratualização que estão a invadir a retórica da gestão das instituições de Ensino Superior, ou nas soluções de outsourcing (incluindo recursos docentes), ou ainda na crença generalizada que a competição beneficia a eficiência. Todas estas ramificações, entre outras, combatem a ideia de que o Ensino Superior é um bem público.
A ideologia “vocacionalista” manifesta-se em três domínios. No domínio das narrativas sobre estratégias de mudança, sendo que a ênfase é colocada na qualidade, na excelência e na competição. Esta retórica denota uma grande incapacidade em definir o que é a qualidade no Ensino Superior. O próprio facto de os serviços serem muito intangíveis reforça essa dificuldade. Acontece, porém, que estas narrativas entraram no senso comum e vieram substituir os discursos sobre a igualdade de oportunidades e a democratização, criado ao mesmo tempo condições para que haja mudanças no interior das instituições. Um segundo domínio de manifestação destas ideologias tem a ver com o aparecimento de novas unidades no interior das instituições muito distintas das anteriores. Este aparecimento traduz-se num reforço dos organismos centrais das instituições que levam ao aparecimento de sistemas de qualidade, de sistemas de informação, etc. Por sua vez, as unidades orgânicas e os conselhos paritários perdem peso e autonomia. Assiste-se a uma tendência para a emergência de unidades de contacto com a comunidade, de centros de investigação interdisciplinar, gabinetes de imprensa e de marketing que promovem a competição. Por outro lado, com possíveis evidências na letra da lei, surgem pressões para a existência de conselhos de curadores (com representantes maioritários externos às instituições), substituindo-se aos órgãos colegiais. A subtileza desta tendência reside no facto de, a par da descentralização, estar a ocorrer uma concentração de poderes no topo. Um último domínio manifesta-se na introdução de tecnologias de controlo da prática (avaliação, monitorização, criação de avaliações de desempenho), adoptando-se critérios de tipo empresarial.
O debate, menos participado (a abertura da época de exames e a chegada do Euro 2004 a Coimbra neste dia terão limitada a presença a oito participantes), mas não menos intenso, que os anteriores centrou-se na autonomia das profissões académicas. A participação nas decisões colegiais, que a tendência “managerialista” vem limitar é a base dessa autonomia. É esta autonomia, científica e pedagógica, que tem estado na origem da evolução do Ensino Superior. As tendências “managerialistas” tendem a impor restrições à liberdade de ensinar e de investigar. Aliás, a conjugação de tarefas de investigação, tarefas de ensino, tarefas de prestação de serviços ao exterior e tarefas de gestão das instituições apresentam-se, não obstante o voluntarismo dos docentes do Ensino Superior, como impossíveis de articular e, nas exigências que comportam, como limitadoras da autonomia.
Outra questão que animou o debate prendeu-se com a questão da avaliação das instituições de Ensino Superior, tendo sido equacionada a tendência para o seu desaparecimento e a sua substituição por auditorias. A avaliação das instituições tem vindo a depender cada vez mais de uma pesada e cara engrenagem que aconselha a que as instituições sejam auditadas para se verificar se dispõem ou não de instrumentos que lhes permitam avaliar os seus processos.

A Delegação Regional do SNESup em Coimbra
17 de Junho de 2004

junho 17, 2004

Impressões do seminário

O Seminário sobre a implementação da Lei de Bases (Processo de Bolonha) realizou-se hoje. Passei lá a manhã. Havia pessoas do Minho ao Algarve.
Foi, de facto, apenas sobre o processo de Bolonha. Dentro deste, pelo menos de manhã e à parte a intervenção do representante do MCES, foi sobre o Projecto Tuning.
Destaco as intervenções de A. Silvestre, da U. Aveiro, sobre Química e de J. R. de Carvalho, sobre História. A última, porque foi mais concreta que a que tinha feito antes nos Encontros Quase Casuais. A primeira, porque me pareceu um documento de trabalho bastante sério e com os pés assentes na terra (ver Eurobachelor em Química). Fiquei também surpreendido pela existência de uma "Eurobachelor Label", um tipo de certificação para adaptações a Bolonha. Ainda não tive tempo de explorar, mas talvez JVC possa dar uma dica. Fica aqui uma anedota, uma vez que, se algum curso aderir à dita "Label", fica uma "licenciatura" (de Bolonha) certificada como "bacharelato", 8-).
Quanto ao resto, fiquei contente por não ter que estar da parte da tarde. Muitas das perguntas feitas de manhã não auguravam nada de bom para as sessões de trabalho por área de conhecimento.

Como não estava ainda satisfeito, pelas 17 horas fui desembocar no último dos Encontros Quase Casuais, sobre Managerialismo, com Rui Santiago, de Aveiro. Mas sobre este, têm que esperar pela acta de Paulo Peixoto.

Um longo caminho

A percorrer pela Universidade. Uma entrada de Miguel Sousa, do Educar para a Saúde sobre o acesso a pós-graduações.

junho 15, 2004

"Food for thought" (2)

Outro documento interessante que se encontra no mesmo site do anterior é o de Parker Rossman (BLUEPRINTS AND ROAD MAPS: ARCHITECTURE FOR THE UNIVERSITY IN CYBERSPACE). Apesar da utopia e da "leveza" de alguns desenvolvimentos, é preciso não esquecer que é de 1999. As propostas podem ser classificadas de revolucionárias, no sentido de tornarem a Universidade um fenómeno global, e de proporem uma educação personalizada, eventualmente feita a partir de casa.
Dois excertos:

[...]
Universities have a great stake in the elimination of poverty, especially intellectual poverty. Universities need money to do great things. And it is now within humanity's grasp to bring taxable wealth to everyone in the world; for wealth is no longer gold and land and machines. Wealth is now information and ideas which can be expanded endlessly, enough for everyone to grow rich. At least rich in what is really essential and important.
[...]
Not so long ago university education was just for a privileged elite and efforts have been made to correct that by 'democratizing the university,' admitting more students than could be taught well. Many classes are so large now that students might as well go to class via the Internet and telecommunications. [...]

Para os mais apressados, deixo a ligação para uma entrevista em 2003 com o autor, que é mais clara e organizada que o primeiro documento (The Future of Higher Education: An Interview with Parker Rossman). Uma outra ligação é a da página do autor, contendo um tipo especial de obra sobre Educação Superior, colaborativa, que está em permanente actualização (THE FUTURE OF HIGHER (LIFELONG) EDUCATION: Planning For All Worldwide, a Holistic View).

junho 14, 2004

"Food for thought"

Esperando que me perdoem o "soundbyte" anglófono do título (aceitam-se sugestões de substituição), serve esta entrada para referir a existência de vários textos relativos à problemática universitária na página de um colóquio de 1999, intitulado "Da ideia de Universidade à Universidade de Lisboa".
Dos textos, destaco (porque já o li) o de Fernando Gil. Um excerto, para abrir o "apetite":

[...] A aptidão da Universidade para assegurar estes últimos é o fruto de um longuíssimo percurso em que intervieram inúmeros factores de progresso e de auto-regulação e que, last but not least, pressupôs ainda um acordo de outro tipo mas não menos decisivo : o acerto entre os conteúdos de conhecimento fornecidos pela Universidade e o desejo de os adquirir por parte dos grupos sociais onde se recrutavam os candidati. Também isto deixou hoje de ser assim. Não tenho infelizmente nenhuma solução mas simplesmente um caveat a emitir. A Universidade não se encontra de todo feita para o que actualmente se lhe pede, duvido que ela saiba responder convenientemente. Em contrapartida, é altamente provável que a acumulação de missões de serviço público e privado venha, se não está já e muito, a desvirtuar a única função para que a Universidade se preparou. É talvez necessário que a Universidade tome disto consciência e diga sobre si mesma o que um dos seus mestres, Abelardo, confessou após uma tentativa gorada de encontrar emprêgo que melhor lhe conviesse : "volto à filosofia porque não sei fazer outra coisa" (cito de cor).
[...]

junho 13, 2004

Intervenção

Porque pode passar desapercebido na secção Local Centro do Público de hoje, chamo aqui a atenção para o artigo de opinião de Seabra Santos País Rico, País Pobre.

junho 12, 2004

Decisões educativas

Um interessante contributo para o debate sobre educação, a vários níveis, é o de José Afonso Baptista no Expresso desta semana («Ensino privado só para as elites?» (necessária assinatura - se tiverem interesse ...)).
Um excerto do mesmo:

[...]
Não defendo que a solução da educação esteja em privatizar a escola pública, mas antes em torná-la autónoma e responsável pelos resultados e pela qualidade, em retirá-la da total anomia e impunidade pelo que faz e não faz. Mas está sobretudo em diminuir o protagonismo do Estado e do ME, em devolver as escolas, públicas ou privadas, à sociedade civil, aos pais, aos actores locais, para a mudança ajustada às necessidades reais em cada escola. Neste momento, em Portugal, é o ensino privado que tem melhores condições imediatas para as decisões educativas em contexto, já que o centralismo e a burocracia afectaram mais profundamente a escola pública, não favorecendo a mudança no seu interior. Diminuir o que está bem e ampliar o que está mal não é decerto uma boa política.
[...]

junho 11, 2004

Anta de Cortiçô

AntaCort.jpg

Descoberta acidental

Foi a da entrada EDUCAÇÃO VERSUS INSTRUÇÃO no Gin Tónico. Um texto de Jorge Branquinho Lopes.

PS: Que, por acaso, até foi publicado na revista Saúde & Lar em Setembro de 2001, com o titulo Educação.

junho 10, 2004

Outras visões

Um dia destes, desafiei um dos participantes, Miguel Sousa, do "Educar para a Saúde" a elaborar um pouco mais um comentário sobre ensino pós-graduado (ver Ipsis verbis 4.3) e a publicá-lo. Ele assim fez e colocou o texto no seu blogue. Façam-lhe uma visita ("link" acima).

junho 09, 2004

Outro debate

Uma reflexão lançada pelo Grupo de Missão para o Espaço Europeu de Ensino Superior da Universidade de Coimbra (clique Seminário sobre a implementação da Lei de Bases (processo de Bolonha) para ver o programa). Completamente escusada era a referência ao Euro 2004.

Debate

(Mais uma iniciativa do SNESup, nos seus Encontros Quase Casuais)

"Managerialismo" no Ensino Superior: debaixo dos paralelos o paraíso prometido pelos métodos de gestão privada das instituições de ensino superior

Rui Santiago, Universidade de Aveiro - 5ª feira, 17 de Junho, 17h, Sala Keynes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

Porque é encarado o “managerialismo” como uma solução para os problemas de financiamento das instituições de Ensino Superior? Como se concretizam as soluções “managerialistas” no Ensino Superior? Até que ponto o “magerialismo” representa uma injecção de soluções neo-conservadoras no funcionamento das Instituições de Ensino Superior em reposta à “crise” do Ensino Superior? Qual o impacte dos ingredientes “managerialistas” na redefinição das finalidades do Ensino Superior? Até onde é vigiada a autonomia institucional das Instituições de Ensino Superior? As estruturas organizacionais e os processos de tomada de decisão têm sido alterados nas Instituições de Ensino Superior? Quais os efeitos perversos das soluções “managerialistas” na autonomia e liberdade dos académicos?

junho 05, 2004

Educar

Hoje, em vez da revista de imprensa, aproveito para fazer uma reflexão sobre educação. Educação como factor de crescimento global do indivíduo, não como treino profissional ou utilitário, para passar em avaliações. Educação como factor de enriquecimento pessoal, alargando as possibilidades de cada um de nós poder fazer contribuições individuais significativas para a sociedade como um todo. Educação como algo que não se pode avaliar no curto prazo, mas em que medidas mal pensadas podem ter efeitos devastadores a longo prazo.
Queremos cidadãos ou escravos? Para os últimos, é fácil encontrar o "pão e circo" romanos, nas versões modernas do futebol e da televisão generalista. Que oferecemos aos primeiros?

E, no entanto, muito já se disse sobre possíveis soluções. Deixo aqui uma citação que me tocou particularmente hoje:

[...] A educação artística em contexto escolar talvez constitua um dos mais importantes veículos de democratização da cultura e um sólido esteio para o pensamento independente e para a acção criadora, um estímulo à curiosidade, à comunicação com o diferente e à "inteligência divergente".
[...]
(Avenidas de Liberdade - Reflexões sobre política educativa, (3ª edição, revista e ampliada), Joaquim Azevedo (2001), p. 292, Edições ASA)

junho 04, 2004

"Irrequietudes"

Peço desculpa pelas variações esquerda-direita da barra lateral, mas estava com um problema técnico que me parecia relacionado com a posição da barra. Afinal, nada tem a ver com isso.
Quanto a "smiles", o weblog.com.pt parece não ter essas facilidades. Usem o método "antigo", 8-).

junho 02, 2004

A imagem dos estudantes

(Com autorização do autor, resolvi dar maior destaque a este comentário, que, temo, passaria despercebido onde estava)

Esta questão da Universidade elitista e da Universidade massificada, e das virtudes e limitações desta última, parece agora ganhar um novo interesse com a perspectiva de criação e desenvolvimento de "universidades de elite" em alguns países europeus. A Alemanha, por exemplo, está a dar passos firmes nesse caminho. Será esta uma solução para os males que afectam as universidades? Até que ponto?
Não deixa, por outro lado, de ser surpreendente que contra a caracterização sociográfica, e outros indicadores, que mostram as dificuldades financeiras dos estudantes e das famílias para prosseguir estudos de nível superior continue a ser difundida uma outra imagem dos estudantes.

Paulo Peixoto

Consórcios

Revista de imprensa: Universidade e Politécnicos da Região de Lisboa Juntam-se em Consórcio. Será esta uma boa solução?

Chamada (2)

De atenção para uma entrada de Miguel Pinto em Outro Olhar: Para onde vai o Secundário? Até porque ainda não abordamos o tema por aqui.