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Ponto de ordem

Há alguns anos atrás, recordo-me de meu pai me contar uma conversa tida à mesa do café. Versava sobre a universidade portuguesa e a preparação que a mesma transmitiria aos seus formados. A deriva normal do assunto levou ao elogio dos sistemas de ensino do estrangeiro, naturalmente superiores em tudo ao que se passava por cá. E a conversa prosseguiu até que meu pai perguntou a um dos intervenientes, mais vocal, onde tinha concluido o seu curso superior. Está bem de ver que a conversa terminou imediatamente.
Serve esta introdução para abordar uma questão que me tem preocupado particularmente nos últimos tempos. A temática é permanente nos media, especialmente nos comentários tipo blogue que agora quase todos têm, mas pode encontrar-se também na blogoESfera, inclusivé por aqui. Basicamente, a tese é que basta expulsar do ES todos os docentes que nele se encontram e que terão acedido a essa posição por, e.g., cunha, compadrio, favorecimento, etc. De uma penada, todos os problemas do ES ficariam resolvidos. Parece-me simplista esta "tese", já que, por redução ao absurdo, isto daria origem a instituições com uma só pessoa, o opinador, único ser com as qualidades desejáveis para a tarefa e sem quaiquer defeitos aparentes, muito menos os que aponta a outros.
Não me parece que seja assim tão fácil. Nem útil. O facto da vida é que as IES têm as pessoas que têm, e é com estas que as reformas, quaisquer que elas sejam, têm necessariamente que ser feitas. Ainda bem, porque tenho "algum" receio do unanimismo e da uniformidade que seriam produzidas se pensássemos e agíssemos todos da mesma maneira. Por isso, deixemo-nos de "maledicências" e usemos essa energia na criação de estratégias possíveis de colaboração com os que nos rodeiam.

Comentário(s)

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Enigmático, Hugo. O comentário, claro!

[comentário removido pelo editor; mensagem: à terceira, chega; se quiser continuar a participar, identifique-se; se persistir no comportamento recente, será banido/a permanentemente]

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