Dia de reflexão 3
Afinal, não resisto a "violar" um pouco o dia de reflexão, reflectindo sobre a política de ES em que estamos mergulhados. Parte da "violação" vem do facto de envolver a Europa na véspera das eleiçoes europeias. O processo de Bolonha, mais propriamente a "agenda escondida" do dito, assenta sobre pressupostos que a crise que vivemos vem, de facto, por em causa.
A crise económica não se refere apenas a bancos, seguradoras, imobiliário e operações especulativas. Ela é um fruto de uma perda de perspectiva global sobre o futuro que queremos como comunidade, ao permitirmos que os interesses individuais se sobreponham aos colectivos e que os "ganhos" de curto prazo sejam sobrevalorizados.
Um desafio que gostaria de deixar aqui passa por contributos para o estudo desta realidade. Será assim tão difícil perceber que o futuro não se compadece com um seguidismo cego de caminhos trilhados e já analisados negativamente por outros? A insistência do MCTES na obtenção de financiamentos externos para manter as IES, ao mesmo tempo que o contributo do Estado vai diminuindo não terá como consequência uma assimetria na distribuição por áreas disciplinares e uma perda da autonomia académica?
O nível do discurso público dos dirigentes das IES aproxima-se perigosamente de publicidade enganosa, oferecendo este mundo e o outro a estudantes prospectivos, com naturais dificuldades posteriores na concretização das expectativas geradas. Os jornais estão cheios, nesta altura, de anúncios de mestrados, pós-graduações e doutoramentos. Quanto de virtual estará por detrás deles? Não será isso uma falha manifesta da missão central das IES (educar)?